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IX congreso
Estrategias para la nueva economía
1996 Mar del Plata, ARGENTINA
SLADE Argentina
Resumo do congresso
SOCIEDADE LATINO-AMERICANA DE ESTRATÉGIA
MAR DEL PLATA / ARGENTINA - MAIO/96
Ricardo Amoroso
Presidente em Exercício
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O presente "paper" descreve de maneira suscinta as principais conclusões
do Congresso. Foi elaborado com base no acompanhamento de todas as reuniões
plenárias e algumas reuniões simultâneas acompanhadas pelo
autor. Inclui também colaborações, comentários de
outros membros da Diretiva da SLADE e de participantes do Congresso. O objetivo
do documento é estimular idéias e não apenas estabelecer
uma conclusão definitiva.
A SLADE é uma organização internacional sem fins lucrativos
que se reune anualmente como objetivo principal de realizar uma conferência
para debate e difusão do tema estratégia, na gestão de
empresas.
O tema do IX Congresso foi Estratégias para a Nova Economia. O motivo
desse tema é a economia dos países latino-americanos, especialmente
daqueles integrantes do Mercosul, estarem passando nos últimos anos por
um amplo processo de reestruturação e estabilização
com múltiplas conseqüências para a gestão das empresas
e para a formulação e implementação de suas estratégias.
Examinar o impacto dessas transformações foi portanto o propósito
desse Congresso. As exposições abrangeram os temas Globalização,
Modelos de Gestão, Pequenas e Médias Empresas.
A inserção de governos, empresas, pessoas em uma Nova Economia
O tema Estratégias para a Nova Economia trata da inserção
da economia de vários países latino-americanos, especialmente
os integrantes do Mercosul em uma nova ordem econômica mundial marcada
por economias estabilizadas, emergentes e envolvidas em profundas transformações
e reestruturações. Em verdade se trata não apenas da inserção
dessas economias em um contexto regional, mas de sua inserção
em uma nova ordem mundial.
Economias estabilizadas e mercados livres, com barreiras comerciais reduzidas
gradativamente e aceleradamente significam novas oportunidades para as empresas,
ao mesmo tempo em que causam inquietação quanto à velocidade
e profundidade das mudança no ambiente de negócios. Trata-se da
integração da economia dos países da região na economia
mundial, ou por assim dizer, da inserção do mundo no mundo.
Estarmos inseridos em uma economia regional e mundial significa, em última
análise, estarmos cada vez mais próximos uns dos outros, seja
nas práticas comerciais multilaterais, seja no contato e no relacionamento
entre organizações empresariais e governamentais. Significa entender
que além de argentinos, brasileiros, uruguaios, somos agora mercosuleños.
O rompimento da noção de espaço traz conseqüências
práticas em nosso cotidiano e carrega consigo uma profunda mudança
de paradigma . Não é apenas o espaço como fronteira geográfica
que perde seu significado. A noção da mente sem fronteiras é
que ganha sentido.
Nesse novo paradigma, estar em todos os lugares pode significar não
estar em nenhum lugar, se não nos dermos conta de como as transformações
e o novo contorno do ambiente de negócios traz não só para
nossas empresas, como também para nossas próprias vidas e as relações
que mantemos com ela.
Novos jogos, novas regras para um contexto onde, na verdade não há
regras definitivas. Como na Internet, a rede mundial de computadores que se
auto-regulamenta e se expande de maneira rápida e descontrolada. Novas
empresas surgem freqüentemente nesse novo cenário, que tratam se
disputar um mercado cada vez mais competitivo, cuja competição
desenfreada leva, ao mesmo tempo, à perda de condições
de sobrevivência com a conseqüente extinção ou fusão
de várias outras organizações. A concorrência acirrada
se manifesta especialmente pela rápida incorporação da
tecnologia, produtos e serviços dos países do Primeiro Mundo e
pela competição até certo pronto predatória dos
países asiáticos de economia emergente de custos muito baixos.
Surgem nesse contexto novas empresas, novas marcas, novas tecnologias, com
a hipersegmentação dos mercados. Nesse contexto, política,
economia, ecologia se encontram sob o tema da velocidade, visto aqui como rapidez
com que ocorrem as mudanças.
Mudanças rápidas produzem ordem e desordem ao mesmo tempo em
que modificam a paisagem dos negócios. Levam a contradições
que nos causam um profundo desconfornto e inquietude quanto ao que fazemos e
quanto ao que efetivamente queremos. Temos agora, cada vez mais produtividade
com cada vez mais miséria social. Aportamos cada vez mais altas tecnologias
e colhemos cada vez mais desemprego.
A integração de voz e dados no âmbito das comunicações
empresariais vem mudando profundamente a forma de fazermos as coisas e deverá
mudar muito mais nos próximos cinco anos.
Questionar o que fazemos significa antes de mais nada questionarmos o que queremos.
Para que nos serve então a tecnologia ? Em primeiro lugar, para recuperarmos
a Economia, o que significa recuperar a Produção e não
o Trabalho. Se não há trabalho em quantidade para todos, há
que dividir-se o trabalho existente entre todos. A emergência do teletrabalho
(feito em casa , às vezes) em tempo parcial ("part time"),
devem mudar profundamente nossas relações e nossa forma de atuar
nas empresas. Por outro lado, para que serve a tecnologia se não para
a interação do ser humano com a natureza - natureza aqui entendida
não apenas como as relações com o meio ambiente físico,
mas como a integração da própria essência, espírito
e propósito do ser.
Claro está que, nesse contexto, nada será como antes e as estratégias
de negócios então deverão ser reconfiguradas e renovadas.
Novas estratégias, novos modelos de gestão
O novo contexto amplia fronteiras e oportunidades. Permite a ampliação
de fronteiras para amortização de capitais e investimentos e a
busca da manutenção de mercados conhecidos e conquistados.
Conquistar mercados significa antes de tudo conquistar a pessoa do cliente,
através de um relacionamento gerenciado. As estratégias, antes
de mais nada, devem ser orientadas para conquistar e manter clientes. Ao passo
que as organizações devem estar voltadas para gerar conhecimento
através de tecnologias, produtos, processos e atos de gestão que
favoreçam o estreitamento e o monitoramento do relacionamento com clientes.
Uma das maneiras já amplamente conhecidas de conseguir isso é
buscando agregar mais serviço e menos custo à relação
que estabelecemos com os clientes. Essa aliás, é a forma de estabelecer
e sustentar a diferenciação, o que implica em maior competitividade.
Diferenciação, em última análise, significa posicionar-se
enquanto conceito, na mente do cliente. No entanto, não estamos falando
apenas da diferenciação atual, mas também da diferenciação
que poderemos e deveremos vir a ter no futuro.
Para posicionar-se adequadamente na mente do cliente, há que dar forças
à marca e à imagem da empresa. Como fazer isso, então ?
Primeiramente criando na empresa uma clara visão de identidade e propósito,
e uma clara imagem dos produtos e serviços que possa então ser
instituída na mente do cliente. Ou ocupamos esse espaço na mente
do cliente ou o concorrente fará isso.
Na batalha para ocupar espaço na mente do cliente, algumas oportunidades
estratégicas se apresentam claramente. A possibilidade de o cliente efetuar
compras eletrônicamente e a possibilidade de efetuar vendas diretamente
da fábrica são algumas delas.
Assim sendo, o esforço de estabelecer estratégias no atual contexto
de negócios passa basicamente por três coisas:
1. reposicionar a empresa e seus produtos/serviços na mente do cliente;
2. reestruturar a organização para desenvolver e aperfeiçoar
processos de trabalho que permitam fazer com que esse reposicionamento seja
constante;
3. capacitar os recursos humanos a trabalharem nesse ambiente de mudanças
constantes.
O esforço de atuar nesse contexto deve trazer, como conseqüência,
melhor gerenciamento da competitividade. Gerenciar a competitividade pode ser
entendida como manejar adequadamente o "mix" entre a Globalização,
o Posicionamento, a Estrutura e a Distribuição.
Para lidar com todas essas variáveis, após tantos anos de desenvolvimento
do tema Estratégia, nos falta ainda uma visão de longo prazo.
Nas Pequenas e Médias Empresas esse quadro é ainda mais marcante
e preocupante.
No entanto, conectar estratégia com a realidade significa antes de tudo
combinar a idéia com a ação. Para essa combinação,
o limite é a imaginação humana.
Idéias recorrentes
Alguns tópicos têm se tornado recorrentes nos últimos congressos
da SLADE e vale a pena destacá-los:
Ciclos de vida mais curtos: cada vez mais vamos lidar com a realidade de ciclos
de vida mais curtos de tecnologias, produtos e processos organizacionais, como
conseqüência da busca de novas alternativas a oferecer aos clientes.
Fim da estratégia de competitividade por custos ou diferenciação:
desde a década passada, Michael Porter nos trouxe a noção
de que a estratégia competitiva reside dentre outras coisas , na escolha
entre ter o menor custo ou ser claramente diferenciado aos olhos do cliente.
Essa idéia não sobrevive mais no contexto empresarial atual uma
vez que as empresas precisam buscar vantagem competitiva em custos e também
na diferenciação, independentemente a natureza de sua atividade
ou os produtos e serviços que oferece.
Não usar modelos prontos: novas tecnologias e ferramentas de gestão
tais como marketing de relacionamentos, gestão de produtos por categorias,
a qualidade total, a terceirização, a reengenharia de processos,
benchmarking, a remuneração variável por desempenho não
podem ser aplicadas nas empresas como modelos prontos. São referências
a serem adaptadas às condições de aprendizagem e ao contexto
de negócios de cada organização.
Mudança é a única constante: mais importante do que lidar
com as mudanças é ter a consciência de que as empresas passarão
a viver um permanente estado de mudanças. Reposicionamento estratégico,
Reestruturação e Reorganização e Capacitação
dos colaboradores da empresa para cada novo contexto não são mais
um evento momentâneo na vida das organizações: fazem parte
do seu cotidiano.
Estratégias voltadas para o cliente: já existe uma clara compreensão
de que as estratégias empresariais devem ser pensadas primeiramente desde
o ponto de vista dos clientes, suas necessidades atuais e futuras, mais do que
superar deficiências ou encarar outros desafios. Esse é o ponto
de partida e significa na prática a empresa totalmente voltada para servir
o cliente.
Concorrência versus Cooperação: a noção de
concorrência predatória e de conseqüências impensadas
perde espaço para a noção de que as empresas devem antes
de mais nada cooperar entre si, fortalecendo dos elos de relacionamento das
cadeias produtivas entre clientes e fornecedores.
Talentos para criar o futuro e fazer acontecer
Lidar com o contexto da Nova Economia globalizada, estabilizada e emergente,
com novas oportunidades e mudanças permanentes e a demanda por estratégias
empresariais inovadoras traz a necessidade de um ser humano afinado com esse
contorno.
A capacidade de sonhar, antever o futuro com a perspectiva de quem deseja empreender
e ser capaz de acreditar no sonho a tal ponto de torná-lo realidade não
é prerrogativa do empresário ou dirigente, mas de todos os executivos
em postos de tomada de decisão. Pensar, idealizar e agir com percepção
criativa das mudanças é tarefa de todos. Manejar ciclos de tempo
mais curto para tudo o que fazemos é uma habilidade necessária.
No entanto, em contraposição ao stress desenfreado, provocado
pelo dia-dia desse novo contexto, o trabalho precisa ser executado com prazer
e com vontade. Prazer para criar e inovar e vontade para energizar e entusiasmar
as pessoas ao redor, sejam elas clientes, concorrentes, fornecedores ou colaboradores
da empresa.
O limite para isso está sem dúvida em nossa capacidade e habilidade
pessoal para lidar com esse contexto, numa atitude de superação
pessoal mais importante do que programas de treinamento que possam ser oferecidos
pela empresa. Não se trata de novos programas, mas sim de consciência
individual, interesse efetivo e atitude concreta. A superação
desse quadro está na consciência de que as limitações
de capacitação pessoal podem ser mais facilmente suplantadas com
o compartilhamento em todos os sentidos: de interesses, objetivos, angústias,
limites, tolerância. Compartilhando podemos fazer o futuro desejado acontecer
pela superação e pelo êxito.
No contexto da Nova Economia e das estratégias competitivas em permanente
revisão e mudança, onde a noção do trabalho e do
emprego mudam também de significado e contorno, temos a tarefa de vender
a nós mesmos, através da comunicação e do diálogo. |